OFICINA MALDITA


Faz tempo que eu me recuso a fazer um blog, mas como tenho escrito muito achei melhor começar a desovar. No momento em que tomei essa decisão, as linhas ficaram em branco e o que era pra se chamar Lapa 856R (homenagem a 1h30 de trânsito diário num bus) assumiu ser o que realmente parece a minha cabeça no momento.

Culpa do pod velho de guerra, tadinho, que ficou sem pilha e eu, sem tempo. Cinco minutos a menos de cama e ele estava alimentado de novo - e deliciosamente cheio de sete discos:

Lou Reed - Coney Island Baby
Black Sabbath - Heaven and Hell
Hedwig and The Angry Inch (trilha sonora do filme homônimo)
Motorhead - Overkill
Einstürzende Neubauten - The Jewels
Jacques Brel - Ne me Quitte Pas
Stevie Wonder - Music of My Mind

Blindagem perfeita para começar uma semana onde às 8h30 da manhã já fazia 33 graus no meu banheiro e o trânsito batia recordes de lentidão. Seria. A pilha tava lá, mas uma vez dentro do ônibus, eu notei que tinha esquecido o fone de ouvido. E a música da minha mente não é tão privilegiada quanto a do amigo Stevie.

Será que alguém vai estar ouvindo algo raw live sem fone no percurso? Geralmente não é legal, mas as vezes é melhor estar no palm da mão deles do que à mercê da minha própria cabeça. Ouvido vazio é o shuffle do diabo. Neurôninos malignos vão ressucitar uma faixa grudenta a qualquer momento.


Semana passada foi I HAVE NOTHING, da Whitney Houston. Jesus, o que me espera hoje?





Não tá inteiro, pode dar play (por sua conta e risco)

Aconteceu! Ai, não! Aconteceu! Quem bota a cabeça pra fora do Lago Ness? NUVEM DE LAGRIMAS, sucesso comercial de Chitãozinho e Xororó. Coisa que na intenet é comum achar cantada por Fafá de Belém, na época em que ela pegou carona nessa história aí.

Pra da Houston, eu tive uma solução: cantar uma versão em português. É uma estratégia que uso desde que fiquei com YOU GIVE LOVE A BAD NAME do Bon Jovi na cabeça. É muito eficiente, porque o sofrimento logo torna-se regozijo.



VAMO LA!

Pra NUVEM DE LAGRIMAS a escapatória foi tangente. Depois de momentos em branco, soa a voz doce de Nana Caymmi cantando POIS É. Me agarrei nessa fagulha de luz e subi da escuridão amarga por sobre nuvens de lágrimas e milágrimas e expulsei de mim a sensação sertaneja de Withney Houston cover.

No fim de tudo, lembrei que já está chegando o dia em que olharemos para as gravadoras e seus direcionamentos, que dão origem a nuvens de houstons, como parte de um superpassado até que saudoso.

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